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"À descoberta de outros mundos" debateu inclusão no concelho

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10 Outubro 2019

A inclusão social de pessoas com deficiência e incapacidade, o debate em torno da intervenção e acompanhamento de casos concretos e a apresentação dos resultados do Diagnóstico sobre a Deficiência/Incapacidade realizado pela A2000 no concelho de Murça, foram alguns dos tópicos abordados na palestra “À Descoberta de Outros Mundos”, realizada nesta vila no passado dia 2 de outubro.

Anfitrião da iniciativa, o presidente da Câmara Municipal de Murça, Mário Artur Lopes, referiu-se mesmo ao trabalho de diagnóstico feito pela A2000 como “mais um importante projeto” do seu mandato. “Este é um projeto de futuro, em que Murça reforça a sua imagem de concelho inclusivo, ao mesmo tempo que contribui para gerir melhor as qualidades de cada um, mesmo em situações de pessoas com certas capacidades menos desenvolvidas, providenciando um acompanhamento institucional assente na integração e nunca na caridade. Temos de assumir a responsabilidade de gerir todos os nossos recursos, numa lógica de conjunto”, referiu, considerando que há muito trabalho a fazer nesta matéria. “Quando assumimos responsabilidades políticas, rapidamente nos apercebemos de que era necessário abraçar, de forma mais vincada, as problemáticas da deficiência e de problemas de mobilidade, numa lógica de promoção do respeito e dignidade por estas pessoas, mas também como uma forma de olhar por nós próprios. De hoje para amanhã, podemos ser nós a vivenciar uma situação destas”.

Na sua intervenção, o autarca apelou ainda à “responsabilidade coletiva” das diversas entidades e cidadãos do concelho, no sentido de fazer da inclusão de pessoas com deficiência um indicador de qualidade de vida no território. “Em Murça, queremos que se viva bem. Para que tal aconteça, não podemos deixar de estar atentos a tudo o que esteja relacionado com a área social. Neste sentido, e concretamente na área da deficiência, a A2000 aparece quase como um milagre, pelas orientações e aconselhamentos que este seu trabalho nos fornece nesta temática. A identificação dos casos existentes é uma grande ajuda na resolução dos problemas, até porque um bom prognóstico só é possível se o diagnóstico for feito corretamente”.

Presente no evento, José Rebelo, diretor da Segurança Social de Vila Real, felicitou os promotores da palestra, no contexto de um projeto que, segundo o próprio, vem trazer uma “garantia social muito importante à população”. “Sabemos que a prevalência da deficiência estava indefinida em certos territórios, e o concelho de Murça não tinha, até à presente data, uma oferta em termos de resposta social para pessoas com maior ou menor necessidade, bem como para famílias que necessitem de uma resposta mais diferenciada. Daí que esta seja uma iniciativa louvável e que deve ser enaltecida porque, para mim, é o primeiro passo para um sonho que será seguramente mais abrangente”, salientou, numa intervenção em que reforçou a importância de dar seguimento a este primeiro passo dado. “Estas ações devem ter uma continuidade, assente no acesso a outras respostas sociais que existem, estão disponíveis e são necessárias. Hoje, estamos a lançar a primeira pedra num edifício muito maior, mas só com o esforço de todos, de uma forma congregada, é que conseguiremos concretizar essas respostas, que tão importantes são para as populações que coabitam com estes problemas”.

Para Marina Teixeira, diretora técnica da A2000 presente na palestra, o isolamento social e as dificuldades no acesso a cuidados de saúde especializados, são dois problemas que sobressaem do trabalho de terreno que foi efetuado. “O que salta mais à vista nestes resultados prende-se com o isolamento, agravado nas freguesias que não são atravessadas pela A4, e nas quais o défice de acessibilidades dificulta a vida das pessoas com deficiência que aí residam. Acresce a tudo isto a menor capacidade financeira destes indivíduos e condicionantes de saúde, que agravam o cenário de exclusão que estas pessoas vivem. Outro dos grandes problemas identificados foi o facto de se registarem pessoas que necessitam de cuidados de saúde específicos, mas que não os têm, em particular na saúde mental”.

Nas suas declarações, a diretora técnica revelou que já foi criado um grupo de dez pessoas, com as quais se vão trabalhar competências sociais e profissionais, tendo em vista a sua integração em contexto laboral. “Este grupo agora constituído, de dez pessoas, vai passar por um programa de desenvolvimento de competências interpessoais, a fim de as trabalhar numa vertente mais emocional e de estabelecimento de relações com os outros, e de as preparar para situações novas, em particular para aquelas que, por força de algum isolamento social, não estão tão habituadas a conviver. Outra das etapas iniciais deste trabalho, que está prestes a começar, passa pela realização de mini-experiências em contexto real de trabalho, a fim de explorar aptidões e preferências”, detalhou, além de sublinhar a importância deste passo para um grande trabalho, que se espera de continuidade. “Até dezembro, esperamos que várias coisas estejam a acontecer em Murça. A primeira é que o município conheça as necessidades reais, na área da deficiência, em Murça. A segunda é que as pessoas estejam mais informadas das necessidades do concelho. A terceira é que as entidades empregadoras estejam mais informadas das medidas e apoios na área da deficiência. A quarta é que este grupo de dez tenha um projeto de futuro, seja pela formação profissional ou pela integração direta no mercado de trabalho”, frisou.