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“Sou produto desta Terra”

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06 Agosto 2018

Entrevista de Mário Artur Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Murça à revista "Empresas".

Terra de enorme diversidade, de visível harmonia e tranquilidade. Murça é um concelho com oito séculos de história, do qual a famosa Porca de Murça é um dos elementos centrais, do passado e do presente deste município. É um território de pessoas para pessoas. O seu atual presidente, Mário Artur Lopes, confessa-se uma alma murcense, “um produto feito da vivência e proximidade com as pessoas de Murça”.
Formado em Economia e com uma vasta experiência no setor privado, cooperativo e público, Mário Artur Lopes direciona a sua ação, primariamente, para a gestão e organização do concelho e, de modo a dar uma resposta rápida e eficaz aos vários desafios que lhe fossem apresentados, preparou uma equipa multidisciplinar.
“Faz parte da equipa, como vice-presidente, António Luís Marques, um jovem filho da terra, que foi presidente da Junta da Freguesia de Murça, sede do concelho, e é formado nas áreas de Turismo e Marketing, mas também tem uma forte ligação com a floresta e a organização de produtores florestais da região. Temos também uma jurista como vereadora, Vilma Pereira, alguém que nasceu no concelho e que se envolveu neste projeto para o território. E, finalmente, eu, que sou da área dos números. Porém, sem nunca deixar de ser alguém que vive muito o concelho, seja na área cultural, associativa ou social. Estamos, completamente, envolvidos na vida desta terra, no seu dia a dia”, refere o presidente.

Descentralização de competências

Quando questionado pelo Empresas+® sobre a sua opinião face à descentralização de competências, Mário Artur Lopes revelou ter “uma opinião algo sossegada, mas atento às alterações que se vêm discutindo”, estando, genericamente, disponível para avaliar todas as possibilidades que se avizinham.
“Parece-me que, realmente, há mudanças que precisam de ser implementadas na relação entre o Poder Central e o Poder Local, especialmente, no que concerne à captação de meios que garantam uma maior proximidade com o cidadão. Como autarcas, estamos ligados ao dia a dia de cada um dos nossos munícipes, conhecemos e partilhamos as suas dificuldades, que nos afetam a todos. São as dificuldades dos concelhos do Interior”, revela.
Porém, mostra ainda algumas reticências quanto ao método que está a ser utilizado para a sua aplicação. “Tem que se perceber muito bem o modelo de descentralização de competências. Os municípios não são todos iguais e a decisão não pode ser tomada a partir de uma folha de cálculo. Portanto, para que isto seja uma solução adequada e definitiva, penso que tem que haver uma evolução para uma adequação muito precisa e realista. O diagnóstico tem de ser rigoroso e partilhado com os dirigentes de nível local”, acrescenta o autarca.

Quadros qualificados

Relativamente à responsabilidade das autarquias, nomeadamente, na área da Educação, Mário Artur Lopes revela, prontamente, que “em Murça, as competências nesta área já estão atribuídas, e em prática”. Todavia, levanta algumas questões que julga não terem sido, devidamente, definidas e clarificadas.
“Este modelo tem algumas particularidades complexas, porque a descentralização, na área da Educação, prevê, entre outros, que a câmara municipal faça a gestão do pessoal não docente, das infraestruturas e equipamentos, sendo que, a câmara funciona no aspeto operacional e no que diz respeito aos custos financeiros associados. Contudo, a gestão diária do funcionamento das escolas é tratada a outro nível, em que não nos envolvemos como considero ser desejável”, afirma.
O presidente crê que este modelo, atualmente, em vigor, deve ser um modelo evolutivo e que, no futuro, tem que definir melhor as competências dos parceiros envolvidos neste processo.
“Nós tentamos contribuir o mais possível, dentro do limite das nossas capacidades, mas de acordo com as exigências educativas. No caso de Murça, há aspetos, segundo o modelo de gestão definido para a transferência de competências, que tornam demasiado distantes os vários agentes da comunidade escolar, da qual a autarquia também acaba por fazer parte. O importante é tentar perceber, numa possível reformulação do protocolo de transferências, como podemos garantir outras condições de apoio na área da Educação, para que os nossos alunos possam ter uma melhor escola e apoio escolar”, confessa.

Mensagem dedicada aos Murcenses

“Acima de tudo, eu quero deixar a mensagem de alguém que vive há 50 anos em Murça e que as pessoas conhecem bem. Eu sou um produto de Murça. Chego aqui, não como um salvador, com soluções mágicas, mas sim como alguém completamente disponível para trabalhar e gerir a causa pública, da mesma forma que sempre geri as entidades e empresas por onde passei, com o máximo rigor, para fazer os investimentos certos, de acordo com as prioridades do concelho e da vida das pessoas. Quando me disponibilizei a ser candidato à câmara, as expectativas eram elevadas. O trabalho que tive oportunidade de realizar, de recuperação de uma das mais importantes organizações do concelho de Murça, contribuindo para uma maior dinâmica económica, levou as pessoas a acreditar em mim. Gerou-se uma expectativa positiva à volta do meu projeto e da equipa que me acompanha. Eu creio que as pessoas acabaram por fazer uma aposta em nós. Mas não somos, completamente, uma surpresa, nem relativamente ao que se espera concretizar, nem ao que, à partida, somos capazes de fazer. Partilho convosco, com muito gosto, o quanto me honra estar neste lugar. Ser autarca é uma oportunidade única para fazer mais pela minha terra e pelas pessoas. Para o futuro, tenho uma visão completamente otimista, realista, mas otimista. Acredito que, neste mandato, vamos ter uma Murça bastante diferente, dado alguns dos investimentos que aqui serão feitos e toda esta proximidade. Para quem aqui vive e para quem aqui queira investir, todos estes fatores são muito importantes, e penso que, de alguma forma, orgulhar-se-ão de Murça”, conclui.

Uma Comunidade mais ligada

Uma das características distintivas do concelho de Murça é a comunidade de emigrantes que lá existe. De forma a reconhecer esta forte comunidade, será promovida uma iniciativa, no dia 17 de agosto, que procura, acima de tudo, valorizar o seu trabalho e a ligação que teima em manter com a sua terra de origem. Organizar este dia é motivo de união e de fortalecimento de laços que ligam esta comunidade, mas com o desejo que se expanda para uma comunidade maior, que se expanda ao concelho de Murça. Para isso, é fundamental a sua integração na vida do concelho do qual, inevitavelmente, se encontram longe. São pessoas que, também elas, contribuem para a dinâmica e para a identidade de Murça. Este dia terá a visita e participação do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, bem como, diversos convidados, que vêm trazer informação importante à vida de emigrante ou ao seu regresso.

 

Fonte: Empresas +